segunda-feira, 6 de outubro de 2008

é dificil?

Há tempos não posto nada... não por falta de assunto, que isso a vida me fornece aos montões, mas por falta de vontade mesmo. Desânimo. Cansaço. Coisas da vida. Mas hoje não poderia deixar de contar esse fato hilário que aconteceu com tia Ná. Um belo dia ela resolveu morar na Paraiba - tia Ná gosta de mudanças, de zanzar por lugares diferentes a cada espaço de tempo.
Bem, um dia - e como não poderia ser, bem na hora em que ela preparava o almoço - o gás acabou. O jeito era ligar para a entregadora e aí aconteceu o inesperado: no nordeste o sotaque é bem diferente do de tia Ná, uma paulista do interior. O nordestino acentua o "e", que sempre tem o som de "é"... e então, a inusitada conversa entre tia Ná e o entregador de gás.
- bom dia! por favor, o senhor pode me entregar um botijão de gás?
- sim, posso. Me passa o endereço.
- rua tal, número tal...
E aqui, a pergunta fatídica do entregador:
- "edifício"? (na Paraiba se costuma indicar o nome do edifício, que tem relevancia maior que o proprio endereço - e isso tem explicação, que fica pra depois).
Mas o sotaque ainda novo para tia Ná fez com que ela interpretasse: "é dificil?" ... e ela responde, candidamente:
- não, é fácil... basta você virar à direita na principal e seguir por tres quadras...
O entregador, pessoa rude e impaciente entendeu como uma "piadinha" e simplesmente disse uma grosseria... mas enfim, o gás chegou logo depois. E até hoje ela rí desse equívoco.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

"voce executou uma operaçao ilegal"

Voces se lembram do antigo Window95? Nossssaaaa! Pois entao, um dia, lá pelos idos de 1998 tia Ná, já morando na cidade de Cabedelo, na Paraíba, foi convidada por uma conhecida, a trabalhar no escritorio da Alfalit - Alfabetizaçao através da Literatura. Tia Ná já fazia parte da equipe de instrutores que ofereciam treinamento para quem tivesse interesse em alfabetizar adultos. Havia uma condiçao indispensável para se trabalhar no escritório: conhecimentos de informática. E tia Ná nao possuia esse conhecimento... mas...a pessoa que a convidou se ofereceu para dar uma ajudazinha inicial. Assim foi. Tia Ná chegou, a moça a recebeu com alegria e logo a ensinou a ligar e desligar o computador. Tinha que ser na sequencia ensinada, nao havia possibilidade de se realizar a operaçao de outra maneira: poderia destruir o computador. Tia Ná, muito esperta, foi anotando todas as indicaçoes - numerando-as para nao errar na sequencia. Digitar seria moleza, ela era uma exímia datilógrafa. Bem, tudo anotado e a moça lhe passa uma lista enorme de nomes para Tia Ná digitasse. Nao havia pressa, o trabalho poderia ser feito com calma - importante era nao ter erros. A moça saiu para ir ao banco e tia Ná ficou ali, sozinha...trabalhando, tentando se familiarizar com aquela máquina. Até que de repente... aquele aviso terrível ali na telinha, o indicador que coisas horríveis estariam por acontecer...e a imaginaçao fértil da tia Ná, aliada à falta total de conhecimento do computador, levaram-na quase ao desespero. Tremeu, ficou gelada...e se sentiu mais sozinha do que nunca, sem ninguem por perto para testemunhar que ela era completamente inocente, que nao havia feito nada para que aquilo acontecesse... logo ela, que sempre procurou agir "direitinho". Bem, nao adiantava nada ficar ali petrificada, como que colada à cadeira, olhando para o aviso claro e absoluto: "voce executou uma operaçao ilegal e o programa será fechado". E agora? Imediatamente se lembrou de ligar para o filho da patroa, ele sim poderia dar um jeito naquela situaçao. Assim foi. Ao que ele atende, ela explica, já deixando claro que nao teve culpa, que tudo foi sem querer, que ela na verdade nao sabia oque havia acontecido. Do outro lado da linha, a voz do moço - firme, forte, monossilábica, cortante... aumentando o desespero da tia Ná. E logo em seguida uma sonora gargalhada e a explicaçao: bastava que tia Ná tocasse no "enter" para que o aviso saísse dali e ela pudesse recomeçar o trabalho... ufff. Hoje tia Ná é "craque" em informática, conhece muita coisa, ensina algumas pessoas... e claro, já nao usa o dito Window 95. Agora usa um XP-Professional - e original!!! Adeus telas azuis e operaçoes ilegais!!!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Aprendendo a nadar

Nao sei oque realmente acontece com tia Ná. Vez ou outra aparece com uma novidade...a última delas é que se inscreveu numa escola de nataçao. Com o apoio das irmas, claro. Finalmente o grande dia...finalmente iria entrar numa piscina. Nao que nunca tivesse tido oportunidade, isso teve e muita. Mas como sempre, tia Ná é daquelas que já coloca o NAO antes de qualquer oportunidade que aparece em sua vida...porisso, na piscina do sítio ela só entrava se fosse pra ficar feito papagaio, agarrada à borda... e no raso, claro.
Bem, chegou o dia da primeira aula. Piscina aquecida, professora muito jovem - nao gostou da moça, pois como ela poderia "salvar" tia Ná no caso de um afogamento? Melhor mudar de horário. Agora, pela manha bem cedinho, assim também nao haveria ninguem pra assistir aos seus "pitís". Wow...dessa vez o professor também era jovem, mas um jovem sarado...forte. Esse sim seria o instrutor ideal. Mas... no final da aula tia Ná já havia decidido mudar de horário outra vez. O jovem sarado era muito carrancudo... nao sorria e pouco falava. Nao seria possível fazer aulas sem poder falar...reclamar... perguntar... questionar... imagina só gritar! Bem, outra mudança e agora chega o professor ideal: jovem mas nem tanto... especialista em ensinar crianças a nadar. Brincalhao. Pacientíssimo. Finalmente começariam as aulas. Definitivamente com Zé Luis. Primeira aula... segunda aula... e na terceira, a catástrofe: tia Ná e as duas irmas se encontravam na parte funda da piscina, fazendo alguns exercícios, quando de repente escorrega. No desespero para encontrar alguma coisa onde se agarrar, já pensando que estava para morrer afogada... tia Ná encontra alguma coisa. Pega. Aperta. E o susto é maior que o medo de morrer afogada. Como estava com os olhos fechados, nao viu que agarrava o professor... o pobre do Zé Luis... pelas "bolas". Desta vez sim, quase se afogou... mas de tanto rir. Sim, porque o professor ficou "roxo"... tia Ná empalideceu... as irmas gargalhavam. Hoje, passado mais de dois meses, tia Ná já consegue se movimentar na água. Com cuidado pra nao escorregar. E o Zé Luis? cada dia mais cuidadoso com os possíveis tombos da Tia Ná...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Tia Ná falando espanhol

Tia Ná tem alguma coisa que nem Freud explicaria. É louca pelo idioma espanhol. Aprendeu sozinha, com ajuda de umas fitas K-7, alguns livretos e internet. Passava horas a fio grudada na tela do computador, em salas de chat espanhol. Mesmo sem entender nada, ficava ouvindo, lendo e captando informações que a ajudassem a aprender. E aprendeu. Um espanhol diferenciado: mistura de mexicano, argentino e dominicano. Sem contar alguns modismos característicos do espanhol novaiorquino - este último, por sinal, de maior influência - uma vez que se comunicava mais frequentemente com um morador do Brooklin, NY. Passando o tempo Tia Ná foi se aprimorando. E nas andanças pela net, conheceu David, um mexicano cinquentão, simpático e falante. Na época tia Ná não possuía microfone, nem web cam. Tudo acontecia por e-mails ou em algum mensageiro on-line. Mas havia as trocas de telefones pessoais e tia Naná já possuía vários telefones de amigos virtuais, só que não fazia ligações - muito caro!!! Um dia David adoeceu. Problema renal sério. Cirurgia urgente. Silêncio total. Tia Ná se angustia, afinal, ele era um amigo muito querido, estavam já acostumados à troca de mensagens, todos os dias. Resolve então, tomar coragem e telefonar para o México. O coração pulsava forte, afinal... não tinha fluência no idioma. Assim foi. Ao terceiro toque uma voz feminina atende... tia Ná fica atônita, quase paralisada. Não por ser uma voz feminina, ela já sabia que ele estaria se recuperando na casa de uma das irmãs. O problema era o idioma espanhol, que de repente sumiu de sua memória . Tentou balbuciar alguma coisa, mas preferiu desligar o telefone e escrever algumas frases básicas que facilitaria a comunicação. Liga novamente e novamente a voz feminina atende. Tia Ná se armou de coragem e lançou a frase pré-determinada: "por favor, me gustaria hablar con David. És posible?" O coração gelado, tremia e suava nas mãos. Do outro lado, a voz firme e muito rápida para os ouvidos da Tia Ná responde: NO. Que fazer agora? Na falta de opções, só o que conseguiu balbuciar foi: Como? Ao que a voz feminina disparou então a falar em inglês. Piorou. Só faltou a Tia Ná enfartar. Mas não desistiria. De alguma forma que ela ainda não sabe qual, conseguiu passar a mensagem: "No... no... soy de Brasil, me gustaria hablar con David". Ao que a voz feminina diz: "no será posible, pues él se fue...". Tia Naná petrificou. Meu Deus, tudo... menos isso. David morreu.
E pela grande amizade que tinham, seus olhos marejaram, a voz embargou e tudo que conseguiu dizer, já misturando espanhol, português e lágrimas... "Oh! Dios... no es posible! David murio???"
E a voz do outro lado dá um grito... "Como??? no... no... David salió para una visita al medico... vuelve por la tarde"... Tia Ná desliga sem dizer mais nada, tamanho o nervosismo. Graças a Deus David estava bem, se recuperando. Ah!...depois disso o espanhol da Tia Ná melhorou muiiito.
Está quase bom. Mas ela ainda "chega lá", ah! se chega.
abraços,
M.S.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

acompanhando as curvas

A familia sorria de orelha a orelha. Iam para o interior. Não vou contar para qual cidade, não importa. Oque importa é que iam todos: a dona da Brasília ano 77, cor bege. Novinha. A Brasilia, não a dona. Ao seu lado a irmã mais velha, segurando firmemente no p.q.p., que parecia querer se desprender do lugar, tamanha a força que ela colocava no pobre. No banco de trás, a mãe - uma senhora nos seus 55 anos. Magrinha, um tanto pessimista - insistia que a dona da Brasilia parasse para pedir informação sobre o caminho, acreditava que estavam perdidas. Junto à mãe, a filha da dona, uma garota de uns 8 anos, um sobrinho de 5, outra de 3 , outro de colo e a mãe deles, uma jovem senhora de trinta e poucos anos. Sem contar a sacola plástica com água, mamadeira, bolacha de morango, maçã, faquinha, colher, guardanapos, fraldas descartáveis. Tudo isso para uma viagem de aproximadamente 1 hora, com retorno no mesmo dia. Depois de algumas voltas pra encontrar a saída pela Anhanguera - naquele tempo nem havia ainda a Bandeirantes, a dona da Brasilia ano 77, cor bege, já cansada das perguntas das crianças -"estamos chegando?" "falta muito?"... resolve parar num posto policial que fica alí pelas cercanias do Jaraguá. O policial se aproxima, e ela - imponente, super bem educada, pergunta como fazer para chegar à via Anhanguera. O policial suspira. Suspense dentro da Brasilia. Será que estamos totalmente perdidos? Será que estamos muito longe ainda? No instante seguinte após o suspiro, o policial, também imponente, super bem educado, responde: senhora, basta a senhora seguir e em frente...Ao que a dona da Brasilia ano 77 agradece, dá a partida e deixa o carro morrer...tenta novamente... morre segunda vez...tenta outra vez. Silêncio dentro do carro. Será que o veículo quebrou? ...desta vez sai...roda uns poucos metros e o policial grita: "senhora...senhora"... vai tranquila...segue sempre reto... mas não se esqueça de acompanhar as curvas, ok??? Nestas alturas a dona da Brasília ano 77 agradece toda gentil, enquando dentro do carro a mãe e as duas irmãs explodem numa gargalhada. Ela não entende o porquê. Quando se dá conta do motivo, fica tão indignada que deixa o carro morrer novamente. Mas no final da história, chegam à cidade de destino, tranquilos, felizes... realizados. A primeira viagem no carro novo foi um sucesso - embora na volta sim, erraram o caminho e ao invés de chegarem ao bairro do Ipiranga onde residiam...não sabemos como nem porque, chegaram em Diadema. Mas felizes.
Será que Maria estava presente? Quem será Maria?
abraços
M.S.

A tia gorda

Ai de mim se ela tomar conhecimento deste blog, desta postagem: tia gorda, eu? não..."llena de carnes", como costuma dizer, já que é apaixonadissima pelo idioma espanhol. Mas eu te conto agora, baixinho: ela está mesmo é gorda. Quase redonda. E quem não tem uma tia gorda? Daquelas que começa dieta toda segunda-feira, pra na terça terminar? Quem não tem uma tia gorda, de certa idade (alguém, por favor, pode me dizer qual é essa "certa idade"?), que adora preparar docinhos pros sobrinhos mas se eles se atrasarem 5 minutos no horário da visita, ela nervosamente começa a devorar tudinho? Quem não tem uma tia gorda, ou "forte", que participa de todas as sociais da familia e está sempre alegre, principalmente se nessas "sociais" forem servidos comes e bebes? Pois bem, eu tenho uma tia assim. O nome dela? bem, vamos chamá-la Tia Ná. Mas vamos aos fatos. Outro dia tia Ná deu um show particular. A familia toda reunida na casa da praia, um sol de estourar mamonas, piscina com água já morna, chamando para um mergulho. E tia Ná resolve subir para o primeiro andar da obra que está sendo construída nos fundos, para ver o acabamento dos banheiros que já estão prontos. Um detalhe: a escada "caracol" ainda não está terminada, falta o corrimão. A varanda larga do andar superior ainda não tem os guarda-corpos. E tia Ná tem uma imensa fobia de altura. O sufoco começa no momento de subir a escada. Depois de galgar cinco degraus, tia Ná pára. Começa a tremer. Tibubeia e ameaça descer, desistindo da visita. Sabe que tem pânico de altura. Melhor deixar para visitar o primeiro andar depois de tudo pronto e equipado. Mas a irmã, ansiosa por mostrar o andamento do projeto e o filho, inconformado por tia Ná querer desistir, resolvem ajudá-la na tarefa de continuar subindo. E cada um segurando em uma das mãos da tia, dão um violento "puxão" e quando tia Ná percebe, já está na varanda.
Aí começa o drama. Tia Ná não consegue dar um passo. Está petrificada pelo medo da altura. Desesperada, chega até a parede e começa a visita às tres suítes do andar. Agarrada à parede, faria inveja a qualquer lagartixa. De repente, novo pânico. Parece que só naquele momento Tia Ná se deu conta que o topo da escada era muito proximo da beirada da varanda...e ainda sem proteção. E à direita, o buraco aberto da escada sem corrimão. E agora? como descer? sem chance. Tia Ná encosta-se à parede e começa a chorar. Para desespero de todos, empaca e não há sobrinho, cunhado, pedreiro, filho, que a faça sair um milímetro do lugar.
Sentada no chão, delira entre uma crise de choro e uma gargalhada pelo ridículo da situação. E não sai do lugar. Os coqueiros começam a fazer sombra na piscina... o sol começa a se despedir... tia Ná chora, inconsolável, treme e se lamenta. De repente a ideia do tio Nildo: chamar os bombeiros para "resgatar" a tia que empacou no primeiro andar. Desesperada, tia Ná reage. Dá um salto, mesmo sentada, chega no topo da escada... continua sentada... chama o cunhado e a irmã: esta ficaria atrás...o cunhado nos degraus abaixo. Segura fortemente a mão do cunhado, desce sentada uns dois degraus. De repente, põe-se em pé e desce correndo o restante da escada. Sorrí com expressão indefinida. Não treme, só corre para a cozinha e ataca umas fatias de pernil. Tia Ná voltou à normalidade. Mas a pergunta que não cala continua soando na cabeça de todos: porque a irmã teve que ficar atrás dela no topo da escada? Se alguém tiver uma ideia, deixe no comentário.
Um abraço
Maria, Somente.

Quem Será Maria?

Eis a questão: quem será Maria? Não sei. Hoje talvez seja uma senhora já avançada em idade, relembrando momentos pitorescos da sua vida (aliás, para relembrar momentos "pitorescos" ela não poderia ser jovem!!). Talvez seja uma jovenzinha imatura com vontade de brincar com a curiosidade alheia...e veja bem: curiosos não faltam.
Mas... Maria pode ser eu. Maria pode ser você. Não avançada em idade, nem jovenzinha brincalhona. Maria, eu? Ou você. Nem é nem está triste. Nem desesperançada. Apenas cansada. Mas... para o cansaço, há uma solução. Simples. Infalível.
Descansar. Desestressar. Relaxar. E é exatamente isso que Maria pretende neste blog: ter momentos de "relax", contando histórias. Reais. Próprias ou de outros, mas reais. Divertidas ou absurdas. Inacreditáveis, mas sempre reais. Sempre incógnita, Maria Somente!

Bem vindos, leitores! Entrem e aproveitem.
com carinho, M.S.