A familia sorria de orelha a orelha. Iam para o interior. Não vou contar para qual cidade, não importa. Oque importa é que iam todos: a dona da Brasília ano 77, cor bege. Novinha. A Brasilia, não a dona. Ao seu lado a irmã mais velha, segurando firmemente no p.q.p., que parecia querer se desprender do lugar, tamanha a força que ela colocava no pobre. No banco de trás, a mãe - uma senhora nos seus 55 anos. Magrinha, um tanto pessimista - insistia que a dona da Brasilia parasse para pedir informação sobre o caminho, acreditava que estavam perdidas. Junto à mãe, a filha da dona, uma garota de uns 8 anos, um sobrinho de 5, outra de 3 , outro de colo e a mãe deles, uma jovem senhora de trinta e poucos anos. Sem contar a sacola plástica com água, mamadeira, bolacha de morango, maçã, faquinha, colher, guardanapos, fraldas descartáveis. Tudo isso para uma viagem de aproximadamente 1 hora, com retorno no mesmo dia. Depois de algumas voltas pra encontrar a saída pela Anhanguera - naquele tempo nem havia ainda a Bandeirantes, a dona da Brasilia ano 77, cor bege, já cansada das perguntas das crianças -"estamos chegando?" "falta muito?"... resolve parar num posto policial que fica alí pelas cercanias do Jaraguá. O policial se aproxima, e ela - imponente, super bem educada, pergunta como fazer para chegar à via Anhanguera. O policial suspira. Suspense dentro da Brasilia. Será que estamos totalmente perdidos? Será que estamos muito longe ainda? No instante seguinte após o suspiro, o policial, também imponente, super bem educado, responde: senhora, basta a senhora seguir e em frente...Ao que a dona da Brasilia ano 77 agradece, dá a partida e deixa o carro morrer...tenta novamente... morre segunda vez...tenta outra vez. Silêncio dentro do carro. Será que o veículo quebrou? ...desta vez sai...roda uns poucos metros e o policial grita: "senhora...senhora"... vai tranquila...segue sempre reto... mas não se esqueça de acompanhar as curvas, ok??? Nestas alturas a dona da Brasília ano 77 agradece toda gentil, enquando dentro do carro a mãe e as duas irmãs explodem numa gargalhada. Ela não entende o porquê. Quando se dá conta do motivo, fica tão indignada que deixa o carro morrer novamente. Mas no final da história, chegam à cidade de destino, tranquilos, felizes... realizados. A primeira viagem no carro novo foi um sucesso - embora na volta sim, erraram o caminho e ao invés de chegarem ao bairro do Ipiranga onde residiam...não sabemos como nem porque, chegaram em Diadema. Mas felizes.
Será que Maria estava presente? Quem será Maria?
abraços
M.S.
Nenhum comentário:
Postar um comentário