sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A tia gorda

Ai de mim se ela tomar conhecimento deste blog, desta postagem: tia gorda, eu? não..."llena de carnes", como costuma dizer, já que é apaixonadissima pelo idioma espanhol. Mas eu te conto agora, baixinho: ela está mesmo é gorda. Quase redonda. E quem não tem uma tia gorda? Daquelas que começa dieta toda segunda-feira, pra na terça terminar? Quem não tem uma tia gorda, de certa idade (alguém, por favor, pode me dizer qual é essa "certa idade"?), que adora preparar docinhos pros sobrinhos mas se eles se atrasarem 5 minutos no horário da visita, ela nervosamente começa a devorar tudinho? Quem não tem uma tia gorda, ou "forte", que participa de todas as sociais da familia e está sempre alegre, principalmente se nessas "sociais" forem servidos comes e bebes? Pois bem, eu tenho uma tia assim. O nome dela? bem, vamos chamá-la Tia Ná. Mas vamos aos fatos. Outro dia tia Ná deu um show particular. A familia toda reunida na casa da praia, um sol de estourar mamonas, piscina com água já morna, chamando para um mergulho. E tia Ná resolve subir para o primeiro andar da obra que está sendo construída nos fundos, para ver o acabamento dos banheiros que já estão prontos. Um detalhe: a escada "caracol" ainda não está terminada, falta o corrimão. A varanda larga do andar superior ainda não tem os guarda-corpos. E tia Ná tem uma imensa fobia de altura. O sufoco começa no momento de subir a escada. Depois de galgar cinco degraus, tia Ná pára. Começa a tremer. Tibubeia e ameaça descer, desistindo da visita. Sabe que tem pânico de altura. Melhor deixar para visitar o primeiro andar depois de tudo pronto e equipado. Mas a irmã, ansiosa por mostrar o andamento do projeto e o filho, inconformado por tia Ná querer desistir, resolvem ajudá-la na tarefa de continuar subindo. E cada um segurando em uma das mãos da tia, dão um violento "puxão" e quando tia Ná percebe, já está na varanda.
Aí começa o drama. Tia Ná não consegue dar um passo. Está petrificada pelo medo da altura. Desesperada, chega até a parede e começa a visita às tres suítes do andar. Agarrada à parede, faria inveja a qualquer lagartixa. De repente, novo pânico. Parece que só naquele momento Tia Ná se deu conta que o topo da escada era muito proximo da beirada da varanda...e ainda sem proteção. E à direita, o buraco aberto da escada sem corrimão. E agora? como descer? sem chance. Tia Ná encosta-se à parede e começa a chorar. Para desespero de todos, empaca e não há sobrinho, cunhado, pedreiro, filho, que a faça sair um milímetro do lugar.
Sentada no chão, delira entre uma crise de choro e uma gargalhada pelo ridículo da situação. E não sai do lugar. Os coqueiros começam a fazer sombra na piscina... o sol começa a se despedir... tia Ná chora, inconsolável, treme e se lamenta. De repente a ideia do tio Nildo: chamar os bombeiros para "resgatar" a tia que empacou no primeiro andar. Desesperada, tia Ná reage. Dá um salto, mesmo sentada, chega no topo da escada... continua sentada... chama o cunhado e a irmã: esta ficaria atrás...o cunhado nos degraus abaixo. Segura fortemente a mão do cunhado, desce sentada uns dois degraus. De repente, põe-se em pé e desce correndo o restante da escada. Sorrí com expressão indefinida. Não treme, só corre para a cozinha e ataca umas fatias de pernil. Tia Ná voltou à normalidade. Mas a pergunta que não cala continua soando na cabeça de todos: porque a irmã teve que ficar atrás dela no topo da escada? Se alguém tiver uma ideia, deixe no comentário.
Um abraço
Maria, Somente.

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