Há tempos não posto nada... não por falta de assunto, que isso a vida me fornece aos montões, mas por falta de vontade mesmo. Desânimo. Cansaço. Coisas da vida. Mas hoje não poderia deixar de contar esse fato hilário que aconteceu com tia Ná. Um belo dia ela resolveu morar na Paraiba - tia Ná gosta de mudanças, de zanzar por lugares diferentes a cada espaço de tempo.
Bem, um dia - e como não poderia ser, bem na hora em que ela preparava o almoço - o gás acabou. O jeito era ligar para a entregadora e aí aconteceu o inesperado: no nordeste o sotaque é bem diferente do de tia Ná, uma paulista do interior. O nordestino acentua o "e", que sempre tem o som de "é"... e então, a inusitada conversa entre tia Ná e o entregador de gás.
- bom dia! por favor, o senhor pode me entregar um botijão de gás?
- sim, posso. Me passa o endereço.
- rua tal, número tal...
E aqui, a pergunta fatídica do entregador:
- "edifício"? (na Paraiba se costuma indicar o nome do edifício, que tem relevancia maior que o proprio endereço - e isso tem explicação, que fica pra depois).
Mas o sotaque ainda novo para tia Ná fez com que ela interpretasse: "é dificil?" ... e ela responde, candidamente:
- não, é fácil... basta você virar à direita na principal e seguir por tres quadras...
O entregador, pessoa rude e impaciente entendeu como uma "piadinha" e simplesmente disse uma grosseria... mas enfim, o gás chegou logo depois. E até hoje ela rí desse equívoco.